Talentos da Quebrada: Negra Flow transforma vivências da periferia em rimas de resistência e representatividade
Do Itapoã para os grandes palcos do Brasil! A rapper Negra Flow vem conquistando espaço na cena do rap nacional com letras que falam sobre identidade negra, protagonismo feminino, racismo, autoestima e superação.
A força da periferia ganha voz através da rapper Negra Flow, nome artístico de Nara de Morais Sores, de 31 anos, moradora do Del Lago, no Itapoã. Há cinco anos na música, a artista vem conquistando espaço no rap nacional com letras que abordam racismo, protagonismo feminino, autoestima, identidade negra e superação.
O interesse pela arte surgiu durante a pandemia da Covid-19. Foi nesse período que Nara encontrou no rap uma forma de expressar sentimentos, denunciar injustiças sociais e dar voz às vivências das mulheres negras das periferias.
Antes de subir aos palcos, Negra Flow já escrevia poesias. Com o tempo, descobriu o poder da rima como ferramenta de transformação. Inspirada por grandes nomes como Racionais MC’s, Emicida e Lauryn Hill, ela desenvolveu um estilo próprio, que mistura o boom bap, o trap e elementos da música afro-brasileira.

Suas músicas vão além do entretenimento. Para a artista, o rap é uma ferramenta de conscientização e mudança social. Ela acredita que o movimento é a “CNN da favela”, capaz de informar, educar e fortalecer a autoestima da juventude periférica.
Ao longo da carreira, Negra Flow coleciona importantes conquistas. Em 2024, recebeu o certificado de contribuição à cultura nacional durante o evento Arte em Movimento, em São Paulo. Já em maio de 2025, viveu um dos maiores momentos da carreira ao integrar o line-up do Festival Meskla, um dos maiores festivais de rap e trap do Centro-Oeste, dividindo o palco com grandes nomes da música brasileira, como Mano Brown, Djonga, Veigh, Orochi, Kayblack, MC Cabelinho, MC Hariel, Major RD, Ryu The Runner, Chefin e Yunk Vino.
Além disso, também participou de importantes eventos como Favela Sounds, Festival Latinidades e Favela Talks x Mantém, consolidando seu nome na cena independente do Distrito Federal.

Apesar das conquistas, a caminhada não foi fácil. Negra Flow destaca que o maior desafio das mulheres no rap continua sendo a desigualdade de gênero e racial na indústria musical. Segundo ela, ainda existe pouca representatividade feminina nos grandes festivais, rádios e plataformas de streaming, além do preconceito enfrentado por mulheres negras da periferia.
Mesmo diante das dificuldades, ela nunca perdeu de vista seu propósito. Continuou porque acredita no poder da arte para contar histórias reais, transformar vidas e inspirar outras pessoas a seguirem seus sonhos.
Hoje, a artista está gravando um novo álbum e mantém uma agenda intensa de apresentações. Seu maior sonho é ver sua música alcançar ainda mais pessoas e ser reconhecida nacionalmente pelo seu trabalho.

Para quem deseja viver da arte, Negra Flow deixa um conselho simples, mas poderoso: manter a autenticidade, estudar constantemente e nunca desistir. “O rap é a voz da realidade e do sentimento. A verdade de quem canta é o que cria conexão com o público”, afirma.
Ao olhar para sua trajetória, a rapper faz questão de agradecer a Deus, ao artista K1zz3, que esteve presente em sua caminhada, e aos seus pais, que sempre acreditaram em seu talento.
Com talento, coragem e muita verdade em cada verso, Negra Flow mostra que a periferia é um celeiro de grandes artistas e que a cultura continua sendo uma das ferramentas mais poderosas de transformação social.
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